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Mensagem em Texto - 23 / novembro / 2017

MEDIUNIDADE – DOUTORA MARLENE NOBRE

Você tem sentido batedeira no coração (taquicardia), arrepios pelo corpo, vontade de chorar sem motivo? Irrita-se com qualquer fato? Tem sonolência exagerada? Ou outros distúrbios do sono, como insônia, terror noturno? Padece, há anos, de dores pelo corpo, sem que encontre uma causa definida? Ou sente um pânico terrível sem causa conhecida?

Se você tem dois, três, ou mais, desses sintomas, já fez todos os exames aconselhados pelo médico com o qual se trata, tem feito uso regular dos remédios indicados, sem obter melhoras substanciais, fique alerta, porque tudo indica que você tem mediunidade.

De início, conceituamos mediunidade, procurando dar-lhe o seu real sentido. É faculdade inerente a todos os seres, como a faculdade de respirar. Por suas características, amplia os sentidos corpóreos e alarga, em graus variados, a capacidade de comunicação com o plano físico e com o espiritual. Suas raízes prendem-se à natureza mesma da constituição humana. Para entendê-la, é preciso ir além da matéria densa; compreender que somos constituídos de corpo físico, envoltórios sutis e espírito. Entendendo-se, por envoltórios sutis, os corpos invisíveis de que se reveste a alma – perispírito e corpo mental – ambos constituídos de matéria quintessenciada, até o momento, não detectada pelos aparelhos comuns existentes na Terra, porque se baseiam em tecnologia voltada à matéria conhecida.

As raízes da mediunidade estão fincadas no perispírito ou corpo espiritual, porque esse envoltório sutil permite a ação do espírito sobre a matéria; concentra em sua organização a perfectibilidade dos sentidos, possibilitando ao ser humano fazer uso de um sentido novo, que lhe expande a capacidade de comunicação, muito além dos sentidos corpóreos.

No exercício dessa função, o perispírito precisa utilizar-se de estruturas neurológicas ou implementos sensíveis do cérebro físico, que têm capacidade de captar a mensagem espiritual, em grau muito diferentes, e passar a informação do mundo extrafísico ao material. Com isso, a mensagem espiritual torna-se perceptível aos seres humanos, quer seja ela registrada de forma inconsciente ou subliminar, ou de maneira consciente, integral ou parcialmente.

Dentre essas estruturas cerebrais, a glândula pineal é a mais importante. Também conhecida como glândula da vida mental, ela recebe, decodifica e transmite as mensagens extrafísicas às várias regiões do cérebro, para que possam ser interpretadas e compreendidas. É fácil descobrir, assim, por que todos somos médiuns. Afinal de contas, todos nós possuímos perispírito e glândula pineal. Mas por que só algumas pessoas são médiuns ostensivos, ou seja, por que só em algumas pessoas a mediunidade se manifesta tal como a conhecemos? Além disso, por que apenas algumas pessoas exercem, efetiva e regularmente, os dons da mediunidade?

A explicação está na própria constituição do perispírito e da glândula pineal. Embora, sobre esse assunto, tenhamos mais perguntas do que respostas, propomos uma reflexão mais acurada sobre as revelações, inspirando-se nelas para efetuar pesquisas e ampliar conhecimentos.

Em uma das inúmeras entrevistas que deu, Chico Xavier, indagado sobre o conceito de mediunidade, enfatizou: “Na essência, é afinidade, é sintonia, estabelecendo a possibilidade de intercâmbio espiritual entre as criaturas, que se identifiquem na mesma faixa de emoção e pensamento”. E, em seguida, esclareceu: “Os sintomas podem ser variados, de acordo com o tipo de mediunidade. Irritabilidade, sonolência sem motivo, dores sem diagnóstico definido, mau humor e choro inexplicável podem indicar necessidade de esclarecimento e estudo”.

Conhecer esses dados é importante para quem deseja desenvolver sadiamente a mediunidade, ou seja, educar-se mediunicamente. Para isso, é aconselhável procurar informações em fontes seguras, tanto em cursos e seminários, na Casa Espírita, quanto em leituras sadias, selecionando livros que instruam e estimulem o seu bom uso.

Para lançar as bases do Espiritismo, o Codificador da Doutrina conseguiu marginalizar a fraude, expulsando-a dos experimentos que fez; procurou estudar e classificar os fenômenos e seus produtores – os médiuns. Demonstrou que muitos dos fenômenos tinham origem na psique do próprio médium, sendo, portanto, fenômenos anímicos, como os denominamos hoje.

Seguindo a orientação de Kardec e a dos instrutores do século XX, há duas maneiras de classificar a mediunidade. A primeira delas tem por critério a fonte produtora: os fenômenos podem ser anímicos, produzidos pelos espíritos encarnados, ou podem ser espiríticos, produzidos por desencarnados. A segunda maneira de classificar a mediunidade se dá segundo o critério dos efeitos que podem ser físicos ou intelectuais, e produzidos tanto pelas almas dos chamados vivos quanto dos mortos.

A mediunidade é um sentido especial na vida do ser humano, que traz percalços e compromissos, mas também muito bem-estar, desde que sejam seguidos os caminhos que lhe tragam maior felicidade espiritual. Para tanto, o médium precisa aplicá-la tendo por base a caridade, o bem do próximo, vinculando-a, profundamente, à sua melhoria moral, que implica esforços constantes em vencer suas más inclinações, representadas pelos vícios, entre os quais o orgulho, a vaidade, a presunção. Quando exercida nessas bases, o médium passa a conhecer-se melhor e o seu desenvolvimento equivale a numerosas e prolongadas sessões de psicanálise, tendo como recompensa final a sensação de paz íntima, fruto do dever cumprido.

Mais do que um precursor, Kardec foi o fundador da ciência do paranormal. Com ele, temos o estudo minucioso da mediunidade; a classificação dos espíritos e dos médiuns; o papel desempenhado por estes nas comunicações e sua influência moral; a confluência da “constelação familiar invisível”, que age sobre o médium e que é por ele influenciada; as interferências, mesmo inconscientes, dos pesquisadores e dos assistentes; os inconvenientes e perigos do exercício mediúnico mal direcionado; as rupturas dos campos psíquicos com a interferência de mentes estranhas, gerando processos obsessivos; as ações de cura magnética, etc. Tudo isso foi objeto de detalhado estudo, constituindo-se O Livro dos Médiuns em um verdadeiro tratado para a prática do paranormal. Sem Kardec, portanto, não há estudo sério das manifestações espirituais.

Não podemos nos esquecer, igualmente, de que a Ciência teve extraordinários avanços, no século XX, principalmente quanto às revoluções conceituais da física quântica, que têm lançado novas luzes à compreensão dos fenômenos mediúnicos, como podemos constatar nas inúmeras informações importantes contidas nos livros Mecanismos da Mediunidade e Evolução em Dois Mundos.

Referência:

NOBRE, Marlene. O dom da mediunidade. – um sentido novo para a vida humana, um novo sentido para a humanidade. São Paulo: FE Editora Jornalística, 2007. 186p

 

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